Voz Verde Rubra

"Vamos lá Marítimo!" por Luís Miguel Rosa

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Do ponto de vista do Marítimo, este jogo, embora não absolutamente decisivo, era de vital importância alcançar o lugar europeu, atendendo às vitórias nesta jornada de Estoril, Rio Ave e Sporting. Sabíamos de antemão que seria um jogo muito complicado - afinal do outro lado estava aquela que tem sido a melhor equipa na liga - mas havia confiança e ambição em almejar os 3 pontos. Dificilmente pior começo poderia ter tido o Marítimo. Na primeira aproximação à nossa área, o Rozário é imprudente na forma como aborda o lance com Lima e a conversão do penalti obrigou-nos muito cedo a correr atrás do prejuízo.

A resposta da turma verde-rubra foi excelente, empurrou o Benfica para o seu meio-campo e o golo do empate, no final da primeira parte, foi o golpe de justiça no jogo. Na segunda parte, apesar de todo o natural assédio das águias, foi apenas num lance infeliz de Rossi que chegaram à vantagem. É difícil dizer que o resultado não se ajusta ou que não houve "justiça" no placar, mas sabe-me muito pouco.

Claramente poderíamos ter conseguido pelo menos 1 ponto ou, com um pouco de mais fortuna, os 3 pontos, preciosos que seriam nesta caminhada europeia.

Assim sendo vemo-nos a 4 pontos do 5º lugar, com apenas 9 em disputa. Beira-Mar, V. Guimarães e Olhanense são os obstáculos que temos que ultrapassar. O nosso desiderato é muito difícil e neste momento não dependemos unicamente de nós. Mas, nem que seja para mero incentivo, é importante recordar que na época 2009/2010, precisamente à 27ª jornada, o Marítimo distava a 3 pontos do 5º lugar, também com seis equipas separadas por quatro pontos. E no final da temporada, num épico encontro em Guimarães, foi o Marítimo que alcançou o quinto lugar. Curiosamente, nesse ano, o Benfica também se sagrou campeão. Será pronúncio?

Para terminar duas situações que não posso deixar passar. Nos últimos tempos, sempre que o Marítimo recebe em sua casa um dos históricos do nosso campeonato, há sempre umas vozes que se levantam e, por mero desconhecimento ou com malícia, por encomenda interna ou externa, se pronunciam sobre as obras nos Barreiros. E porque nunca é demais esclarecer, cá vai: o Estádio dos Barreiros era um espaço bem enquadrado na beleza paisagística do local mas  já padecia de um conjunto de situações, constantes nos pareceres da UEFA, que obrigavam a obras. Estas iniciaram-se com o fim de proceder a uma remodelação do estádio, ajustando-o às necessidades do clube, não se tratando de uma ampliação ou para concretizar sonhos megalómanos locais. Uma capacidade de 10 mil lugares para uma cidade com cerca de 180 mil habitantes, para o maior clube da Região - com um média de 7 a 8 mil espectadores no estádio antigo (que por acaso na sua traça original tinha capacidade para 15 mil), não é uma megalomania, mas uma necessidade, ao contrário do que aconteceu com os 'mostrengos' de Faro, Leiria, Aveiro ou Coimbra. Infelizmente o seu arranque tardio coincidiu com o rebentamento da crise que hoje vivemos, pese embora todo o esforço notável para que, para já, a primeira fase fique pronta rapidamente, proporcionando às gentes do Marítimo e de quem nos visita o conforto que o futebol hoje obriga.

A outra situação prende-se com algo que simplesmente abomino, aquilo que eu chamo de "biclubismo". Atenção, quem quiser ser do Benfica, Sporting, Porto ou outro clube qualquer, está perfeitamente à vontade, apesar de eu poder achar lamentável que se prefira o produto de fora ao produto regional. Porém, o que não aceito, por mais voltas e justificações que me apresentem, é que alguém durante 14 jogos esteja nos Barreiros com a camisola verde-rubra e noutro jogo vista outra camisola, vibrando como se não houvesse amanhã. Esses, por muito que possa custar, eu dispensava.

"Com alma maritimista" por Luís Miguel Rosa

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Há várias notas de destaque que se retiram do embate para a 23ª jornada da Liga Zon Sagres 2012/2013, que opôs Marítimo ao ainda campeão nacional FC Porto. A primeira e absolutamente incontornável é a expressiva moldura humana que ocupou a parte disponível do Estádio dos Barreiros.

Segundo as estatísticas oficiais da Liga estiveram 4.433 pessoas, o que equivale a dizer 100% da sua ocupação actual. E se isto já é relevante, mais expressivo se torna quando sabemos que o jogo teve transmissão televisiva e vimos "in loco" o sem número de potenciais espectadores que ficaram de fora por não conseguirem bilhete.
E, ao contrário do que muitos poderão estar a pensar, não foi uma casa azul e branca, mas sim uma casa pintada de verde e vermelho forte, que durante os 90 minutos e mais uns "pozinhos" de jogo, literalmente segurou as hostes maritimistas perante o desnorteado assédio portista à baliza de Salin.

E, para contrariar aquela criatura que semanalmente debita ódios e rancores no jornal 'a Bola' contra tudo e todos - esta semana particularmente "aziado" por ver Grandes Madeirenses a afastarem o seu clube da corrida ao título - tenho a certeza que se a bancada em obras estivesse disponível para receber espectadores, ela teria enchido!
Quanto ao jogo, e sem tirar qualquer mérito à equipa muito bem engendrada pelo Pedro Martins, o justo destaque para Salin. O guardião francês do Marítimo foi um gigante na baliza apesar de até ter tido um jogo menos complicado do que seria inicialmente esperado frente ao FC Porto.

Se no primeiro tempo teve de se aplicar a apenas dois remates com perigo à baliza (um deles sem hipótese de defesa), no segundo tempo teve de deitar mãos à bola. E foi decisivo. Defendeu um penalti e evitou que uma cabeçada de Jackson Martinez (em falta sobre Robérge) e um excelente remate de Castro levassem a bola para dentro da baliza.
E Suk, claro. Ainda fresquinho na camisola verde-rubra e os seus golos já vão valendo pontos preciosos. E só tem 21 anos. Se me permitem, também quero destacar mais um jovem produto da formação B do Marítimo: Igor Rossi. Ao lado de Robérge fez um jogão e não me lembro de ter perdido um lance, fosse pelo ar ou pelo chão. Temos central, meus senhores!

Este empate, para além de ser claramente moralizador, pela conjugação dos restantes resultados desta jornada, permite-nos manter acesa a luta pelo quinto lugar, previsivelmente o último a dar acesso à Liga Europa na próxima temporada. Do 5º ao 10º distam apenas 4 pontos, pelo que está mesmo tudo em aberto. São seis equipas que prometem aquecer esta recta final da Liga. Quanto a nós são 7 finais, 4 fora de portas (Setúbal, Nacional, Beira-Mar e Olhanense) e 3 delas em casa, onde recebemos Paços de Ferreira, Benfica e Vitória de Guimarães.
Apesar dos muitos pontos perdidos nos jogos entre portas (é o sétimo empate nos Barreiros, seis por 1-1), também é verdade que o Marítimo não perde em casa desde o jogo frente ao Braga em finais de Outubro do ano passado, já lá vão, portanto, quase cinco meses. E se, nos jogos que nos falta realizar, o 12º jogador tiver o peso que teve no domingo, acredito que com a força da família Verde-rubra conseguiremos estender este registo, somando vitórias!

Escrevi na semana passada que o Marítimo é um clube com "projecto", que se alarga muito além do mundo do futebol. Pois na sexta-feira passada a Fundação Marítimo Centenário, nascida com a missão de ajudar quem mais necessita, e a Associação de Estudantes da Madeira celebraram um protocolo tendo em vista a atribuição de bolsas de alimentação a alunos carenciados. O que nos dias que correm são cada vez mais. Este é o meu Marítimo, de e para todos os Madeirenses.

"O derby!" por Filipe Vasconcelos

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Defino como derby um confronto entre duas equipas da mesma cidade ou localidade. Pode-se colocar a questão de se um Marítimo-nacional pode ser considerado um derby, uma vez que a Choupana quanto muito pode pertencer ao concelho do Funchal mas considerar dentro dos limites da cidade é abusivo. Mas como a sede ainda se encontra na baixa acho que posso considerar um derby a não “apenas” um clássico entre Funchal e Choupana. Achei importante focar este pronto para não ser criticado por usar um título errado.

Também o “O” do título pode ser alvo de críticas. Porquê “O” e não “Um”? É verdade que a agremiação da Rua do Esmeraldo não é o primeiro rival do Marítimo, nem sequer é historicamente o principal. Porém é o que nos últimos anos tem dado mais luta. Uma situação pontual que naturalmente irá mudar com o tempo, como sempre tem acontecido.
É verdade que andam esticados para conseguir ombrear com o Marítimo. Mas isso é normal. Falam que os maritimistas só querem saber do passado e eles do presente. Que se envergonhem do passado é lá com eles mas dizem como se andassem a dar baile, como se houvessem duas divisões de diferença entre ambos. Não, isso não acontece, nem nada de parecido. Tirando o estádio, não há nada em que o Marítimo olhe de baixo para cima. Não é algo que me preocupe assim muito mas voltarei a este assunto para desmistificar essa ultrapassagem. Numa silly season quando se dá importância ao que não é muito importante.

Mas independentemente de tudo o que está escrito atrás, este é o tipo de jogos que mexe com os adeptos. E eu pessoalmente gosto. Muitas vezes (ou sempre que há jogos destes) vemos acusações mútuas de só se importarem com o rival, que preferem as derrotas alheias às suas vitórias, que se vencem o jogo têm a época realizada. É claro que eu não prefiro as derrotas do clube da serra às vitórias do Marítimo. Gosto bastante mas não prefiro. Aliás, até acho que este foi o primeiro jogo que eu vi esta temporada da formação que saiu derrotada dos Barreiros. Se as suas derrotas fossem a minha principal alegria veria mais jogos. E até andaria bastante mais feliz este ano. Mas como dizia, apesar de não cair nesses exageros, não deixo de sentir aquele nervoso que não se sente em outros jogos. Aliás, o Marítimo tem como um dos seus objetivos ser o Maior das ilhas. Então é mais do que normal este sentimento. E o de querer que percam sempre, seja na I Liga ou na II B, seja em Portugal ou no estrangeiro.

Não suporto a hipocrisia dos regionalismos/nacionalismos bacocos no desporto. Pessoas que dizem que o clube que menos gostam é o rival mas puxam por ele contra os de fora. Lógica? Nenhuma. Ao menos que digam que são de todas as equipas da região. Não vejo piada nisso mas tudo bem.
Então e falar dos aspetos técnicos e táticos do jogo? Não. Hoje não. O Importante é que isto foi um típico Marítimo-nacional. Ou seja, fomos melhores dentro de campo e nas bancadas, merecemos a vitórias, os derrotados arranjaram desculpas esfarrapadas e os nossos deram tudo o que tinha. O resto é conversa para outros jogos.

Saudações Verde Rubras

Filipe Vasconcelos

"Adeus Europa, adeus Taça, olá Liga" por Filipe Vasconcelos

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E num remate do Fidélis a poucos instantes do fim do Newcastle-Marítimo, é dado o último suspiro nas esperanças verde-rubras de passar da fase de grupos da Liga Europa. Ainda falta um jogo mas a matemática não engana e estamos eliminados.

A prestação global é positiva. Não envergonhamos ninguém e fica a sensação que podíamos ter vencido qualquer um dos 3 jogos que ficamos empatados, e assim ter boas perspectivas de passar. Faltou um bocadinho assim. E o bocadinho assim pode muito bem ter sido substituições à altura do Roberto Souza e do Baba.

O mesmo fim que a Liga Europa teve a Taça de Portugal. O mesmo fim, porém, com um sentimento bem diferente. Se nas competições europeias saímos de cabeça erguida e com a sensação de dever cumprido, aqui foi um balde de água fria.

O jogo com o Guimarães até começou bem. Controlamos o jogo e o Fidélis abriu o marcador. Pensei para os meus botões se este e o golo com o Newcastle não podiam ser a motivação que o nosso avançado precisava para se tornar mais decisivo. Durante o jogo tive a resposta que até já sabia mas a maio de uma partida por vezes a irracionalidade toma conta de mim. A culpa não é da falta de motivação mas sim da falta de qualidade. Por muito que se esprema pelo Fidélis não há muito sumo para sair dali. Não é avançado para a I Liga.
Com a saída do Marítimo destas duas competições acabam as desculpas do cansaço e excesso de jogos. Eu, como escrevi numa outra crónica, não sou propriamente adepto desta teoria quando exagerada, mas pelo que oiço e leio tem bastante suporte. A partir de agora o rendimento da equipa terá de subir na I Liga. Veremos é se o ataque começa a concretizar.

Domingo temos o derby. E neste jogo não quero saber de desculpas para não ganharem. Não me venham com cansaço do jogo com o Brugge ou lá o que seja. Corram, comam a relva, matem-se, esfolem-se, o que for preciso. Mas dêem tudo como fizeram em Inglaterra e ganhem.
Como nota final quero dizer que fiquei surpreendido com a entrevista do Rafael Miranda na Segunda-Feira na RTP Madeira. Gostei bastante, sempre muito ponderado e realista. É um jogador que foi muito criticado noutros tempos mas que esta época está a ser o pilar do meio-campo. Na entrevista mostrou a importância que pode ter no balneário e que tem capacidade para ser um bom capitão de equipa.

Saudações Verde Rubras

Filipe Vasconcelos

Xó mau olhado!! por Luís Miguel Rosa

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O Marítimo ao longo desta temporada tem sido claramente prejudicado pela menor qualidade dos seus praticantes em relação a épocas anteriores. Não há que esconder isto, que já tem vindo sobejamente a ser esmiuçado ao longo das últimas semanas. Ainda neste jogo frente ao Vitória de Setúbal foi visível a incapacidade de alguns jogadores em fazer melhor do que apresentaram em campo. Esta equipa precisa urgentemente de novo sangue nas laterais, precisa de um criativo no meio terreno, precisa de um avançado que marque golos (dou o benefício da dúvida ao Ibrahim porque só agora jogou, mas os restantes não), e precisa do Sami e do Danilo da época passada. E, acima de tudo, precisa de cabeça fresca. Não basta correr e lutar como se não houvesse amanhã. Mas até lá, também não adianta estar sempre a bater na mesma tecla. São estes os jogadores que temos e é com estes que teremos de enfrentar os próximos desafios.

A equipa tem limitações, é verdade, e a bola teima em não entrar na baliza adversária. Mas caramba! Tudo acontece a esta equipa! A (infame) estrelinha da sorte não quer nada com esta equipa. Uma bola no poste mais quase uma dezena de oportunidades não concretizadas (duas ou três absolutamente gritantes!). Estas foram do jogo de segunda, mas podiam ter sido de outro qualquer jogo do Marítimo esta temporada. Junta-se a uma expulsão infantil (no melhor jogo que vi o João Luíz fazer esta época borra a pintura com dois amarelos por protestos), a dois jogadores em inferioridade física nos últimos minutos, e a um Árbitro que em 35 minutos decide disparar sobre tudo o que se mexe e mostra 8 cartões amarelos e 1 vermelho, e estamos perante um verdadeiro jogo atípico que em nada ajudou as cores verde-rubras. O facto do Vitória da primeira e única vez na primeira parte que se aproxima da baliza de Salin fazer golo, para uma equipa que vive em angustiante ansiedade no momento do remate, e que ainda busca a primeira vitória em casa, é trauma demais para um jogo só. É mesmo de ir à bruxa ou ao psicólogo!

Louve-se o facto de este Marítimo nunca desistir. Mesmo perante tamanha adversidade, mesmo em inferioridade numérica, por castigo e por lesão, com Salin por momentos a jogar quase como líbero, os jogadores nunca baixaram os braços e procuraram até ao último apito o golo que desse os três pontos do Marítimo. E tivesse Danilo mais calma e pontaria e estaríamos agora a saborear o tal 'click' que poderia catapultar a nossa equipa para outros patamares, tal como o Pedro Martins o deseja (bem como todos nós).

O campeonato interrompe um fim-de-semana para os jogos da Taça de Portugal. O Marítimo desloca-se a Aguiar da Beira para defrontar a equipa local. Poderá ser um bom jogo para afastar a malapata dos golos e afinar a pontaria para Newcastle, onde o Marítimo disputará a sua última possibilidade matemática de ainda sonhar com as próximas eliminatórias na Liga Europa.