Derrota no Dragão

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Ao Marítimo exigia-se mais, sim. Vinha moralizado pela vitória sobre o Benfica e esperançado em repetir o feito. É verdade que até entrou bem, organizado e coeso, mas rapidamente perdeu a fala e o equilíbrio.

A máscara da segurança foi caindo, caindo, até deixar os insulares sem nada para mostrar e muito menos por esconder. O olhar de bad guy, provocador, esbarrou no poderio azul e branco. Pedro Martins queria homens de aço, frequentadores habituais de saloons, e só viu meninos bebedores de leite.

O Oeste selvagem, à beira Douro plantado, demandava argumentos que este Marítimo não tem ou, pelo menos, não mostrou ter. A diferença foi grande, enorme, coincidente com o desnível no resultado.

Entre as limitações de uns e as virtudes de outros se fez o andamento do jogo.

Bem o Porto, comandado por um Licá incontrolável, a servir Jackson para o primeiro golo e a marcar ele próprio o segundo; bem o Porto, a fazer pressão altíssima, a aproximar Lucho das zonas do ponta-de-lança e a não passar por calafrios no processo defensivo.
Há necessidade de ajustar peças, limar arestas e aperfeiçoar o sistema defendido por Paulo Fonseca, naturalmente, mas este F.C. Porto está bem e é já é um entusiasta pela cultura do golo e do espetáculo.

O contexto favorável permitiu inventar, lançar Quintero e Iturbe, confirmar a riqueza deste plantel em contraponto com o da época passada. A intensidade foi baixando com o avançar dos minutos, mas ninguém deve ter levado a mal a descompressão.

Nessa fase, de resto, em que as bancadas cantavam e os jogadores do F.C. Porto improvisavam, o Marítimo limitava-se a maquilhar o cadáver. Não tinha reação, não tinha vida, somente um punhado de dignidade.

Pouco, muito pouco, para um F.C. Porto que esteve sempre um passo à frente. Como se antecipasse cada momento da partida.