"Com alma maritimista" por Luís Miguel Rosa

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Há várias notas de destaque que se retiram do embate para a 23ª jornada da Liga Zon Sagres 2012/2013, que opôs Marítimo ao ainda campeão nacional FC Porto. A primeira e absolutamente incontornável é a expressiva moldura humana que ocupou a parte disponível do Estádio dos Barreiros.

Segundo as estatísticas oficiais da Liga estiveram 4.433 pessoas, o que equivale a dizer 100% da sua ocupação actual. E se isto já é relevante, mais expressivo se torna quando sabemos que o jogo teve transmissão televisiva e vimos "in loco" o sem número de potenciais espectadores que ficaram de fora por não conseguirem bilhete.
E, ao contrário do que muitos poderão estar a pensar, não foi uma casa azul e branca, mas sim uma casa pintada de verde e vermelho forte, que durante os 90 minutos e mais uns "pozinhos" de jogo, literalmente segurou as hostes maritimistas perante o desnorteado assédio portista à baliza de Salin.

E, para contrariar aquela criatura que semanalmente debita ódios e rancores no jornal 'a Bola' contra tudo e todos - esta semana particularmente "aziado" por ver Grandes Madeirenses a afastarem o seu clube da corrida ao título - tenho a certeza que se a bancada em obras estivesse disponível para receber espectadores, ela teria enchido!
Quanto ao jogo, e sem tirar qualquer mérito à equipa muito bem engendrada pelo Pedro Martins, o justo destaque para Salin. O guardião francês do Marítimo foi um gigante na baliza apesar de até ter tido um jogo menos complicado do que seria inicialmente esperado frente ao FC Porto.

Se no primeiro tempo teve de se aplicar a apenas dois remates com perigo à baliza (um deles sem hipótese de defesa), no segundo tempo teve de deitar mãos à bola. E foi decisivo. Defendeu um penalti e evitou que uma cabeçada de Jackson Martinez (em falta sobre Robérge) e um excelente remate de Castro levassem a bola para dentro da baliza.
E Suk, claro. Ainda fresquinho na camisola verde-rubra e os seus golos já vão valendo pontos preciosos. E só tem 21 anos. Se me permitem, também quero destacar mais um jovem produto da formação B do Marítimo: Igor Rossi. Ao lado de Robérge fez um jogão e não me lembro de ter perdido um lance, fosse pelo ar ou pelo chão. Temos central, meus senhores!

Este empate, para além de ser claramente moralizador, pela conjugação dos restantes resultados desta jornada, permite-nos manter acesa a luta pelo quinto lugar, previsivelmente o último a dar acesso à Liga Europa na próxima temporada. Do 5º ao 10º distam apenas 4 pontos, pelo que está mesmo tudo em aberto. São seis equipas que prometem aquecer esta recta final da Liga. Quanto a nós são 7 finais, 4 fora de portas (Setúbal, Nacional, Beira-Mar e Olhanense) e 3 delas em casa, onde recebemos Paços de Ferreira, Benfica e Vitória de Guimarães.
Apesar dos muitos pontos perdidos nos jogos entre portas (é o sétimo empate nos Barreiros, seis por 1-1), também é verdade que o Marítimo não perde em casa desde o jogo frente ao Braga em finais de Outubro do ano passado, já lá vão, portanto, quase cinco meses. E se, nos jogos que nos falta realizar, o 12º jogador tiver o peso que teve no domingo, acredito que com a força da família Verde-rubra conseguiremos estender este registo, somando vitórias!

Escrevi na semana passada que o Marítimo é um clube com "projecto", que se alarga muito além do mundo do futebol. Pois na sexta-feira passada a Fundação Marítimo Centenário, nascida com a missão de ajudar quem mais necessita, e a Associação de Estudantes da Madeira celebraram um protocolo tendo em vista a atribuição de bolsas de alimentação a alunos carenciados. O que nos dias que correm são cada vez mais. Este é o meu Marítimo, de e para todos os Madeirenses.